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10.08.2017

SINDUSCON ENTREVISTA Gino Oyamada

Com um papel muito claro junto às organizações, a governança corporativa reúne instrumentos capazes de contribuir para mitigar potenciais conflitos e riscos e para construir o futuro das empresas que desejam crescer e se perenizar no mercado. Para falar sobre o tema, o consultor Gino Oyamada, sócio gerente da 3G Governança, Gestão e Gente, participou da reunião de associados do SINDUSCON Joinville em julho e também é o convidado desta edição do SINDUSCON Entrevista. Confira o que ele tem a dizer sobre governança corporativa.

SINDUSCON Joinville - Por que é preciso desmistificar esse assunto?

Gino Oyamada - A expressão Governança Corporativa tem um “quê” de sofisticação. As escolas, a mídia e as revistas especializadas tratam do tema como se fosse algo difícil, mas a verdade é que é algo muito simples. Procuro traduzir dizendo que sua grande missão é dar longevidade à organização, principalmente num país como o nosso, com um nível elevado de mortalidade de empresas. A empresa precisa obter bons resultados, remunerar seus acionistas e ser cada vez mais socialmente responsável para conseguir se eternizar.

SINDUSCON Joinville - Governança é só para as grandes empresas?

Gino Oyamada - Esse é um dos mitos. Eu tenho insistido – inclusive lá na Fundação Dom Cabral, que é uma escola especializada em empresas familiares – que governança não é privilégio das grandes organizações. Por exemplo, eu estou no conselho de uma organização há dois anos, que tem capital inicial de R$ 10 milhões, investindo em educação complementar e com um longo caminho a ser percorrido. Mas ela já nasceu dentro de uma concepção toda de governança e está colhendo os benefícios.

SINDUSCON Joinville - Quais são os outros mitos?

Gino Oyamada - Um deles é de que governança corporativa implica necessariamente na constituição de um conselho de administração. Outra falácia é que há risco de o acionista perder poder e controle ou de que haverá transferência de gestão.

SINDUSCON Joinville - A governança interfere na vida das empresas?

Gino Oyamada - Sim, há implicações. Entre elas, na adoção de melhores práticas de gestão, na preparação da empresa para o futuro, na profissionalização da família em gestão, na aceitação e convívio com outras opiniões.

SINDUSCON Joinville - Há motivos para temer a perda de poder?

Gino Oyamada - Esse é um ponto mais crítico nas empresas familiares. É fato que a governança implica no desapego. Temos ainda, por questões culturais, um apego enorme, um sentimento de paternidade, de propriedade, que no mundo dos negócios deve ser colocado em uma dimensão diferente. Quando beira o exagero, a empresa perde, a família perde, a sociedade como um todo perde. É preciso desapegar do passado, do poder, daquela velha história de “eu fazia assim, por que eu vou mudar?”.

SINDUSCON Joinville - Qual a consequência desse tipo de apego?

Gino Oyamada - É enorme o índice de mortalidade de empresas por causa disso. Acreditar que as coisas não vão mudar é um erro absoluto. É preciso acreditar que elas vão mudar numa velocidade cada vez maior e de uma forma diferente. As novas organizações procuram territórios em que a questão legal não está estabelecida e fazem disso uma alavanca comercial. Fala-se tanto de Uber, por exemplo, que isso gera um marketing positivo, maior do que seria obtido com mídia paga.

SINDUSCON Joinville - Como a governança ajuda a lidar com essas mudanças?

Gino Oyamada - Aprendemos a ouvir e a pesquisar. Se eu fecho os meus ouvidos para ouvir as opiniões, o que os especialistas estão falando, quem morre sou eu.

SINDUSCON Joinville - Por onde começar?

Gino Oyamada - Um dos pilares da governança é antecipar conflitos, de várias ordens. Às vezes tudo parece bem e aí entra o genro, o tio, o avô, e se atrapalham. Por mais duro que seja, é melhor trabalhar num acordo de acionistas que estabeleça as regras de convivência. O que nós fazemos é mapear as fontes potenciais de conflitos para evitar que eles cheguem a ocorrer. Somente um quarto das empresas têm acordo de acionistas, e isso é assustador. Ele é bê-á-bá de um bom início de governança corporativa, em que se vai tratar de sucessão, fornecedores, dividendos etc.

SINDUSCON Joinville - O planejamento sucessório entra nesse pacote?

Gino Oyamada - É um aspecto importante. Um grande erro que encontro nas empresas familiares é o de considerar que o cargo de direção é hereditário. “Meu filho vai ser o sucessor”, diz o dono, mas ele não perguntou para a pessoa se ela realmente quer seguir no negócio.

SINDUSCON Joinville - Quais são os outros pontos críticos que a governança aborda?

Gino Oyamada - Primeiro é preciso separar a propriedade de uma empresa da gestão dessa empresa. Eu não preciso dizer que ainda há uma mistura de pessoa física e jurídica. O Brasil carece de grandes corporações como há nos Estados Unidos. Nós temos ainda grandes empresas de controle familiar onde isso é uma verdade. Outro ponto é a questão patrimonial. O patrimônio construído pelas famílias ao longo do tempo precisa ser protegido em benefício das famílias e do negócio. Temos ainda a questão das profissionalizações fracassadas, em que há desalinhamento entre os objetivos dos acionistas e as práticas dos executivos. Há estudos mostrando que 80% da primeira rodada de profissionalização não dá certo. E isso ocorre por causa daquelas questões de apego, de preferências, de não saber ouvir, sobre as quais falamos há pouco.

SINDUSCON Joinville - A governança promove o alinhamento necessário?

Gino Oyamada - O mundo está cheio de estatísticas para mostrar como mitigar esses riscos. Quando o cara chega de fora, é natural que haja desalinhamento entre executivos e acionistas, pois cada um pensa de forma diferente. Se você não cria condições para começar a aprender a ouvir as opiniões, você não chega a um consenso. Mas quando isso ocorre, você tem todo o quadro funcional da empresa para auxiliar nas decisões. Então você deixa de pensar a curto prazo e começa a olhar, de fato, a longo prazo, inclusive para as megatendências. Ao criar certas condições de governança, é natural que você saia dessa visão de curto prazo.

SINDUSCON Joinville – Como se constrói tudo isso?

Gino Oyamada – Existem os pilares da governança, como a propriedade (você como acionista da companhia. Um bom acordo de acionistas onde você pode reger uma série de variáveis, inclusive questões relativas a sucessão), protocolos de família (quando você tem um grupo de acionistas já envolvendo outras gerações. Às vezes não cabe no mesmo acordo o protocolo da família, então em alguns casos separamos isso), segregação (toda a estrutura de planejamento sucessório. Uma revisão de toda a estrutura societária). Em Santa Catarina tem uma empresa que, para mim, é o melhor exemplo de desenho de estrutura societária. Eles segregam totalmente a propriedade da gestão, além de ter um ótimo acordo de acionistas. Outra grande discussão é remuneração e dividendos. Essa discussão de dividendos é um grande problema, mas não o único. Nos casos em que a pessoa é acionista e também tem cargo executivo na companhia, por exemplo. Enquanto executivo, recebe o salário da companhia. Ao passar para o conselho, em que o salário é mais baixo, quer manter o salário antigo. Esse desapego é difícil. Quantas empresas vocês conhecem que já passaram por essas situações?

SINDUSCON Joinville – Qual a importância do planejamento estratégico?

Gino Oyamada – É fundamental pensar em uma boa agenda de planejamento, até para ganhar bons executivos para a companhia. Quando falamos em governança, isso não implica necessariamente em instituir formalmente um conselho de administração. Até porque, perante a lei, um conselheiro de administração estatutário responde criminal e civilmente pela empresa. Precisamos entender a dinâmica, a maturidade e o momento da companhia. E, naturalmente, fazer com que as empresas adotem gradativamente boas práticas e colham os frutos disso. Na minha opinião, esses passos são construídos aos poucos na linha do tempo.

SINDUSCON Joinville – É necessário que as empresas tenham códigos de ética e conduta e sejam transparentes?

Gino Oyamada – É natural que um bom código de ética e conduta crie condições favoráveis aos negócios, mas precisa ser algo recorrente, repetitivo, bem divulgado e que tenha normas de adesão. No caso das empreiteiras que estão na Lava Jato, por exemplo, todas têm um código de ética e conduta. Não serviu para nada. É um código que servia para os funcionários, mas não servia para os diretores, conselheiros, empresários.  Quando falo em transparência, se você sabe usar uma boa auditoria, que vai te dar segurança nos números da organização, os benefícios colhidos serão maiores que os custos colocados ali. É importante ter um bom plano de comunicação também.

SINDUSCON Joinville – Os conflitos são inevitáveis?

Gino Oyamada – Achar que não tem conflito é ilusão. Quando ele não é tratado, ele começa a aumentar, gerando mais custos e fazendo com que a concorrência ganhe espaço. Trabalhar e estar atento ao conflito é preciso. Achar que não vai acontecer é uma grande ilusão. Temos tempo, hora e condições de trabalhar todos esses temas. O papel da governança é contribuir na mitigação dos potenciais conflitos e riscos e auxiliar na construção das organizações.


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